O ruim de gostar de alguém meio diferente e com aquela coisa toda de artista é que você começa a se sentir a pessoa mais sem-graça da terra.
Eu não sou junkie, não tenho o cabelo descolorido, não conheço bandas indies, e não sou artista. Aliás, não sei nem desenhar uma casinha, meu grau de dislexia artística é de uns 115, numa escala de 0 a 100.
Também não sei e nem quero saber andar de skate e, terror dos terrores, eu tenho um carro, uma família normal e gosto de MPB.
Na verdade, acho que a única coisa esquisita que gosto é ele, com seu cabelo bagunçado e o poder de fazer o mundo inteiro em volta sumir.
Acho que, no mais, eu sou a típica mulherzinha sem-graça que gosta de navegar em blogs de maquiagem (e tem um), gosta de administração e planilhas de Excel e acha de fundamental importância refeições em família.
Mas, por outro lado, acho que ter me tornado isso, ou assumido o que sou, foi o que me trouxe viva até aqui, então talvez eu desista desses seres de cabelo bagunçado e acabe com um engenheiro e um labrador no quintal.